Os avanços em meios de comunicação, os processos migratórios, as deslocações de populações por conflitos nos seus países ou inclusivamente o auge do turismo, colocam os seres humanos de diferentes culturas em condições de se interrelacionarem cada vez mais. Isto implica pôr em evidência as diferenças entre umas culturas e outras, mas ao mesmo tempo leva-nos a descobrir um “algo comum” que nos iguala, não tão fácil de descrever como as diferenças, mas sim de reconhecimento de algo profundo e poderoso que empequenece as meras aparências.

Alguns setores preferem realçar o facto das diferenças e, ainda que o poderiam contemplar pelo lado da diversidade, da variedade, da multiplicidade que enriquece… põem mais ênfase no “diferente” como algo ameaçador, invasor e usurpador. Certamente, bem que se poderiam perguntar como colaborou ou colabora a sua própria cultura para submeter e saquear aquelas populações às quais nega hoje o seu próprio destino!

Porém, o “re-conhecimento” dos “outros diversos” faz aflorar o “re-conhecimento” em “si mesmo” da própria dor, do próprio sofrimento, da própria alegria, dos próprios anseios e esperanças… em suma, o contacto com os outros favorece o contacto consigo mesmo, propiciando que cada ser humano volte a retomar as perguntas fundamentais sobre quem é e para onde se dirige.

Isto é de extrema importância numa época em que o mundo se vai desumanizando de forma crescente, em que as pessoas vão deixando de sentir a sua essência para se sentirem cada vez mais um objeto, um número, uma engrenagem do sistema… De repente, o encontro e o diálogo com outras culturas dá-nos a possibilidade de nos redescobrirmos como seres humanos.

Nesta mesa de trabalho abordaremos o tema da interculturalidade como um dos sinais destes tempos que mais ajudará a assumir o progresso como um valor universal.

Promotores:
Convergência das Culturas, Madrid

Expõem e moderam:
Clara Gómez-Plácito
Íñigo Gómez-Plácito

Contacto: José Antonio Díaz